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O RAPAZ DAS ILHAS

05
Jul17

Quem será mais feliz?

Direitos Reservados

 

Quem será mais feliz: eu ou este tipo que me serve um café?

 

A sua simpatia é genuína. Nota-se facilmente pela forma como atende os seus clientes. Dá “bom dia” apontando os seus olhos azuis brilhantes na direção dos nossos. Ri-se mesmo sem motivo.

 

Tenho a certeza que se lhe perguntasse se seria feliz a fazer outra coisa, que não servir cafés e sandes, me responderia que não. E acreditar nisso faz-me acha-lo um ser fantástico. Um homem que vive humildemente entre os outros, não se achando especial, mas sabendo, assim, ser feliz.

 

E quem sou eu para além de um tipo de olhos castanhos sem brilho?

 

Um merdas. É o que sou.

 

Um inútil que, em tempos, acreditou que para ser alguém é preciso estudar calhamaços, aturar tipos que se acham deuses nas sua área (muitos deles uns perfeitos palermas), habituar apenas a sobreviver na esperança que a vida ganhe cor no dia em que emoldurar uma folha que me considere licenciado por ter tido aproveitamento em todas as cadeiras de um curso ranhoso.

 

A vida não é nada disso. E viver assim é viver de forma errada.

 

Ao contrário de muitos, que andam aí de nariz arrebitado e a suar de vaidade por estudarem fora, vou à ilha apenas para me refugiar. Para tentar esquecer-me do facto de me achar, constantemente, inútil. E nada me orgulha pelo facto de estudar numa, considerada, boa faculdade, se não a experiência de vida que a mudança de lugar me dá. Na realidade, foi isto que mudou na minha vida ao entrar num curso superior. Antes não era assim que me considerava.

 

Se este tipo me perguntasse se eu seria mais feliz a fazer outra coisa qualquer, que não estar a licenciar-me, talvez o dissesse que não (apenas para não parecer aquilo que me considero), mas a realidade é que seria. E muito. E até podia ser a fazer o mesmo que ele, acrescentando apenas um caderno e uma caneta, para as horas vagas.

 

Mas porque é que ele é assim tão mais útil que eu, se é um básico que talvez nem o ensino básico completo tem? Porque é feliz. Só merecemos ser considerados gente, se tivermos a capacidade de escolher e procurar a felicidade. Ninguém nasce para ser um porra azedo de cabeça baixa e sem brilho nos olhos.  

 

Acredito em dias melhores. Dias em que me sinta útil e feliz. Dias em que a vida há-de ter cor e os meus olhos brilhar ao dar “bom dia”.

 

Está por perto o dia em que serei tão feliz como este tipo que me serve um café.   

 

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Publicado por Rodrigo Pereira em Domingo, 27 de Maio de 2018

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