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O RAPAZ DAS ILHAS

10
Dez17

Por favor, não me obriguem a andar de táxi outra vez!

DIREITOS RESERVADOS

 

Não tenho absolutamente nada contra taxistas, por vezes, ainda que raras, até ando de táxi. Não há nada que pague o bom serviço português: um carro com mais de trinta anos a cheirar mal – com sorte, a tabaco –, um motorista mal-educado e uma volta inteira à cidade para chegar a um local mesmo ao lado de onde partimos. Calma, também há os taxistas simpáticos, honestos e com carros em condições, mas, pela experiência que tenho, não os encontro com frequência.

 

Há cerca de um ano, depois de deixar vários taxistas aborrecidos porque as viagens que fazia eram de seis ou sete euros e não trinta ou quarenta como eles gostam – lembro-me de um dizer “eu não estava à espera de ir para o fim do mundo, mas também para onde quer ir, caramba” –, decidi deixar de incomodar os senhores e instalei a aplicação da UBER.

 

Quando mandei vir o primeiro não foi um espanto porque já tinha utilizado o serviço com um amigo, mas repreendi-me por não ter começado a utilizar mais cedo. De carros velhos e enjoosos, passei a ter como transporte carros com meses e com um serviço de limpeza extraordinário; de tipos carrancudos, passei a ter motoristas que até vêm abrir a porta – ainda que eu dispense sempre esta parte – e oferecem água e rebuçados; antes sequer de pôr um pé dentro do carro passei a ter a estimativa do custo da viagem a realizar e do seu percurso, que é minuciosamente cumprido pelos motoristas; no final da viagem passei ainda a ter a oportunidade de classificar o motorista e, no caso de correr mal – o que só aconteceu uma ou duas vezes –, poder optar – através da classificação de uma estrela – a nunca mais o apanhar e, no caso de reportar, ainda reaver o dinheiro da viagem. Para além disto tudo, passei ainda a ter acesso aos melhores motoristas nos meses seguintes aos que realizo mais de dez viagens. Basicamente passei a ter um bom serviço de transportes – pena é ter que andar mais na Carris que na UBER, mais isso para aqui não interessa nada.

 

Há poucos dias li que a UBER foi considerada ilegal pelo Tribunal da Relação de Lisboa e com isto tem que parar a sua atividade imediatamente.

 

De Direito não percebo, mas sei que as leis são aprovadas por duzentos e trinta deputados – que, pelo menos, metade pescam tanto disto como eu – e que é na Assembleia da República que se deve resolver a questão de uma vez por todas. Obviamente que quero um país que defenda quem trabalha e que por isso proteja os taxistas, mas também não exclua a UBER e aplique a mesma legislação e encargos que a ambos. Para além do emprego que esta empresa criou em Portugal nos últimos anos, é preciso ter em conta os milhares de clientes que a utilizam – e não é por acaso que o fazem.

 

Espero que os senhores deputados e governantes tomem juízo no que toca a isto. Não me tirem a UBER. É que se o fizerem continuarão a ser transportados pelos motoristas engravatados nos belos Mercedes s600 pelo menos até 2019, mas eu volto a andar no 190 de 1950 do sô Joaquim, que me trata mal por querer ir do supermercado a casa carregado de compras, em vez de querer fazer um tour pelas pontes de Lisboa.

 

A UBER deve ser legalizada. A concorrência faz parte do mundo do negócio, ganham os melhores ou os mais espertos, mas isso deve ser uma escolha livre do consumidor.

 

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Publicado por Rodrigo Pereira em Domingo, 27 de Maio de 2018

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