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O RAPAZ DAS ILHAS

07
Mar18

Passos Coelho vai dar aulas na minha faculdade. E então?

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Tornou-se público há dias que Pedro Passos Coelho, ex-primeiro-ministro, como certamente sabem, foi convidado pela reitoria do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), da Universidade de Lisboa, a dar aulas no mestrado e doutoramento de Administração Pública. Desde esse dia várias têm sido as críticas dos meus colegas Iscspianos e não só a esta notícia. Seja porque não admiram PPC, são militantes de partidos opostos ao seu, não admitem o facto de lecionar sem ter doutoramento, ou, pura e simplesmente, entendem que a sua presença no corpo docente da faculdade não dignifica a instituição.

 

Evito falar de política no blog (porque não é este o seu propósito), mas tenho qualquer coisa a dizer sobre isto. Até porque, embora de licenciatura, sou aluno do ISCSP e, por acaso, suplente do Conselho de Escola. E, quem sabe, um dia ainda serei, com muito gosto, aluno do senhor Passos.  

 

O que me importa esclarecer em primeiro lugar é a dúvida e erro daqueles que se têm mostrado indignados por Passos Coelho lecionar numa instituição de ensino superior sem ser doutor. Se olharmos para as outras melhores faculdades do país vamos encontrar docentes na mesma situação que o ex-primeiro-ministro e não é nada grave. As direções das faculdades são livres de convidar a dar aulas profissionais com percursos notáveis que possam enriquecer o percurso académico dos alunos e da instituição. E vejamos, o homem não aparece do nada só por ter uma grande cunha. Andou a governar o país, caramba. Não é ótimo que alguém com experiência, mais que teórica, prática possa ensinar?  

 

Se por um lado se possa dizer que Portugal não viveu os seus melhores dias quando governado por Passos Coelho – bem pelo contrário até, como todos sabemos –, por outro é preciso ter consciência de que o país era obrigado a cumprir exigências austeras devido à intervenção externa. PPC governou numa época especialmente difícil.

 

Um primeiro-ministro, seja de que partido for e em que altura governe, nunca pode ser visto como um político qualquer e terem essa ideia é o que mais confusão me tem feito nas várias publicações que leio nas redes sociais. Um chefe de governo é um político distinto e sempre notável – a menos que comprovadamente corrupto – pela confiança depositada pelo povo na sua coragem e determinação em gerir a “saúde” de um país. É, para mim, o mais difícil cargo político que se pode assumir. Não cabe a um primeiro-ministro apenas falar aos jornalistas e ir ao Parlamento responder aos deputados, apesar de ser o que nos chega aos olhos e ouvidos, mas também gerir tudo o que diz respeito à nação (finanças, economia, saúde, cultura, solidariedade social, etc.), e é ainda ele que muito contribui para a visão externa do país.

 

Seja de direita ou de esquerda só honra e contribui para o bom nome de uma faculdade a presença de um anterior primeiro-ministro como seu docente. Aliás, como também de ministros ou até secretários de Estado, embora nestes casos possa ser muito mais discutível o seu valor.

 

Há sempre alguma coisa a aprender com o outro, quanto mais não seja por ele pensar diferente de nós (sim, isto é para quem crítica PPC só por não ser do seu partido).

 

Bem-vindo, PPC!

 

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Publicado por Rodrigo Pereira em Domingo, 27 de Maio de 2018

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