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O RAPAZ DAS ILHAS

01
Nov17

Pão por Deus

DIREITOS RESERVADOS

 

O domingo de Páscoa e o Pão por Deus eram os dias mais doces do ano. Num eram ovos de chocolate que davam para um mês, no outro o stock de “rabuçados” e “candins da base” aguentava bem até ao Natal. Mas o Pão por Deus exigia de mim mais algum esforço e talvez por isso soubesse melhor.

 

No último dia de Outubro era sempre a mesma história: nunca sabia da sacola. Quando finalmente a encontrava, pousava-a em cima do cadeirão para no dia seguinte, bem de manhã, ir à luta: bater de porta em porta e gritar “Pão por Deus” – em alguns casos insistentemente até abrirem. Nunca fui com grandes grupos, ou ia sozinho ou com o José João. Creio que nunca havia ponto de partida definido, era onde calhasse, mas a volta a toda a canada – ou rua, traduzindo para a malta do continente – era sempre garantida. Por volta das onze a empreitada já costumava estar despachada, até porque nem tínhamos outro remédio, era obrigatório ir para casa lavar e vestir para a missa.

 

Neste dia, o almoço era sempre em casa dos meus avós paternos. E era na Canada do Alecrim que fazia a segunda ronda de caça aos doces. Normalmente aqui dava sempre menos que na Canada de Diante, o que é normal dadas as dimensões de ambas. Feitas as duas rondas era altura de espalhar toda a bagagem da minha sacola e do meu primo em cima da cama e trocarmos alguns “rabuças”.

 

Não me lembro bem o que me davam os meus avós paternos neste dia, nem sequer os meus pais, mas a Lusa era sempre um pacote de Kinder Maxi, que desaparecia numa velocidade estonteante.

 

Lembro-me de ter insultado um político – ou a televisão, no caso – como nunca quando soube que o Passos Coelho tinha acabado com este feriado que entretanto regressou. Não me conseguia conformar com o facto de retirar à malta de agora a incrível e caloricamente pesada tradição do Pão por Deus.

 

Enfim, já essa altura passou para mim, quebrou-se a tradição do almoço em casa dos meus avós, já não cá está a Lusa para me oferecer os Kinder, mas pelo menos, felizmente, o feriado voltou.

 

Bom dia de Todos-os-Santos e bom Pão por Deus para quem anda agora nessa luta. E atenção, neste dia não vale tocar às campainhas e fugir…é uma despesa para o nosso lado (dos que pedem). Ouçam o veterano!

 

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